Primeiro aquário. Vamos montar o nosso?

Devemos começar falando que após se adquirir um peixe você estará levando para casa um ser vivo que requer cuidados como qualquer outro animal de estimação, este é o primeiro passo para quem está começando no hobby, saber o tamanho da responsabilidade que se tem ao adquirir um peixe, pois afinal de contas, em muitas vezes, estamos retirando o mesmo de seu habitat natural e o mínimo que podemos fazer é dar a ele uma qualidade de vida digna e por mais que se faça, nunca será a mesma coisa que a natureza. Então, um lugar onde ele possa crescer a até quem sabe procriar é o mínimo que devemos fazer. Para tal devemos ter em mente que um aquário bem montando e estabilizado dificilmente trará problemas futuros, a menos que haja descuido do próprio aquarista.

Vamos falar resumidamente sobre equipamentos, testes e cuidados básicos para iniciantes, mas que são fundamentais para se obter sucesso desde a primeira montagem.

Filtro: É o equipamento mais importante, pois é ele que realiza a filtragem mecânica, química e biológica do aquário. Este tem que ser bem escolhido. Dê preferência para filtros que caibam uma boa quantidade de materiais filtrantes, ou, se preferir, pode-se montar um.

O recomendado é que o filtro circule no mínimo cinco vezes o volume de água do aquário. Esqueça o uso do famoso FBF (Filtro Biológico de Fundo), ou aquelas placas pretas sob o cascalho, com o passar do tempo ele passa a ser mais um causador de problemas do que propriamente um filtro biológico. Este é um equipamento ultrapassado no aquarismo e mesmo que ainda haja pessoas que defendam seu uso (principalmente vendedores mal informados) é um método que deve ser definitivamente descartado.

Os materiais filtrantes que se costumam usar nos filtros são os seguintes:

– Perlon. Onde ficam retidas as partículas em suspensão na água, realizando assim a filtragem mecânica.

– Cerâmica. É onde vai ficar a grande concentração da colônia de bactérias, realizando a filtragem biológica, muito importante. Pode-se também usar outros tipos de materiais não tão comuns como fibras para fixação de bactérias.

– Carvão Ativado: É onde será feita a filtragem química da água. Algumas pessoas utilizam removedores de amônia, de fosfatos, de nitratos e etc, mas o mais comum é o carvão ativo. Em aquários bem montados, essa filtragem pode ser dispensada.

Uma recomendação muito importante é de nunca desligar o filtro, lembre-se que a sua colônia de bactérias só pode ficar algumas horas sem oxigenação, muito tempo sem oxigênio tende a fragilizar e até matar toda à colônia. Vale lembrar que nunca se deve deixar o filtro ligado sem água dentro, pois ele poderá queimar por super-aquecimento.
Aquecedor com termostato: Indispensável para quem mora em regiões onde a temperatura costuma cair bastante, principalmente à noite. Este nada mais faz do que manter a água do aquário em uma temperatura constante. Por exemplo, se você regular ele em 25º e a temperatura da água cair para 24º ele aciona sozinho e faz a água voltar para os 25º.

Mudanças muito bruscas de temperatura serão prejudiciais para os peixes, por isso a necessidade do uso deste equipamento. Mesmo assim é recomendado o uso de um termômetro para acompanhar a temperatura em caso de uma possível “pane” do termostato.

O ideal é que a temperatura fique entre 23º a 27ºC, esse é o recomendado, mas claro que varia de espécie para espécie. Dê uma pesquisada sobre a espécie que vai adquirir e veja a temperatura recomendada para a mesma, mas já adiantando, nunca deixe a temperatura acima dos 30ºC e nem abaixo dos 20ºC para peixes tropicais. Faça a escolha do aquecedor seguindo a formula de 1Watt/litro. Por exemplo, se o aquário tiver 80 litros escolha um aquecedor de 80W ou o valor mais próximo disso.

Você nunca deve ligar o aquecedor fora do aquário e mesmo se estiver dentro, o recomendado é que tire da tomada e deixe esfriar com a temperatura da água para somente depois retirá-lo. O choque térmico pode causar a quebra do vidro de proteção do equipamento.

O aquecedor somente aquece a água, não resfria, para isso, pode-se usar métodos mais baratos como ventoinhas próximas à superfície, ou equipamentos mais sofisticados como um chiller que tanto pode aquecer como resfriar a água, muito importante em aquários com invertebrados, já que nesses aquários a água deve se manter entre 20º e 25ºC, coisa quase impossível em regiões tropicais.

Iluminação: Vai depender muito do tipo de aquário que se vai ter. Um plantado, por exemplo, requer uma iluminação maior que um aquário somente de peixes devido aos cuidados que se deve ter com as plantas onde, a grosso modo, é recomendado 1 Watt/litro. A grande maioria dos iniciantes no hobby aderem às plantas de plástico em seu primeiro aquário, então a iluminação não será um grande problema, podendo ter como “regra”:

Para plantados 1 Watt/litro e não plantados 0,3 Watt/litro.

Para calcular o volume de água do aquário basta multiplicar o comprimento pela altura, pela largura e com todos valores em centímetros, dividir o resultado por mil. Deste modo, se obterá o resultado em litros.

A iluminação não deve ser forte, pois deixa os peixes estressados e tira o seu brilho e cor. O período de iluminação do aquário deve ser de 10 a 12 horas diárias. Coordene também o período em que a lâmpada vai ficar acesa e mantenha sempre o mesmo horário. Escolha, por exemplo, ligar as 7:00H e apagar as 19:00H, período de 12 horas. Faça todos os dias no mesmo horário para os peixes adquirirem uma noção de “dia e noite”. Podemos também usar um temporizador que fará essa função de acender e apagar as luzes no mesmo horário, automaticamente.

Lembre-se que os peixes dormem apesar de não ter pálpebras, não se engane, eles dormem sim.

Decoração: Deve-se ter cuidado ao adquirir a decoração do aquário, pois muitas pedras/rochas têm o poder de alterar o pH da água. Neste caso, procure comprar pedras neutras, ou seja, que não interferem no pH da água. As pedras têm o poder de alcalinizar a água, mas nunca acidificar, o que faz esse efeito de acidificar, normalmente, são os troncos que também fazem parte da decoração.
Falando em troncos, este também é um dos erros mais comuns de quem está começando, por verem troncos nos aquários acabam colocando qualquer madeira sem saber que alguns soltam substâncias tóxicas na água e mesmo os que são considerados “ideais” ainda assim precisam passar por um tratamento, assunto para outro artigo.

Conchas do mar devem ser descartadas, pois aumentam muito o pH, exceto se for manter, por exemplo, Ciclideos Africanos que requerem um pH muito elevado.

Cuidado também para não colocar nada pontudo no aquários, pois os peixes certamente vão se machucar nessas pontas.

Quando for colocar a decoração, procure fazer tocas ou esconderijos para os peixes, pois quando os mesmos estiverem, estressados, um esconderijo será de grande serventia sem contar que tocas são excelentes para peixes com hábitos noturnos.

Você nunca deve utilizar aqueles cascalhos coloridos, eles soltam tinta e também podem estressar os peixes. O cascalho deve ser muito bem lavado e preferencialmente fervido antes de ser introduzido no aquário. É valido também colocar um fundo no aquário, para esconder toda a “bagulhada” que fica atrás como o filtro externo, fios, etc. Pode-se usar aqueles fundos com paisagens, papel contact ou cartolinas.

Comprando os peixes: Quando for comprar os peixes, dê preferência para aqueles que têm uma coloração normal, nem muito clara, nem muito escura. Se algum deles estiver com um comportamento diferente dos demais como estar quieto no fundo, ou nadando na superfície (exceto para espécies com esses hábitos), não o leve, certamente este peixe está com algum problema. Algumas espécies somente com o passar do dedo no aquário acompanham seu dedo achando que vão ganhar comida.

Dê preferência para lojas com boa reputação, nessas lojas os peixes costumam ter um tratamento melhor e conseqüentemente são mais saudáveis.

Tenha cuidado ao adquirir seus peixes para ver se são compatíveis entre si (isso inclui principalmente ao fator do pH) e se vão se adaptar com o tamanho do seu aquário. Um dos maiores mitos do nosso hobby é exatamente este, “quanto maior o aquário mais o peixe cresce”. Isso é história de gente desinformada, um peixe irá crescer independentemente do tamanho do aquário, e se colocado em um aquário menor do que o recomendado pode sofrer de graves problemas como um estresse constante, atrofiamento e até morte.

Não compre peixes além do que o seu aquário comporta, dê uma boa pesquisada em quais/quantos peixes você poderá colocar em seu aquário, ao contrário você terá diversos problemas. Um exemplo clássico são níveis elevadíssimos de amônia que é um composto extremamente tóxico para os peixes, podendo levá-los facilmente a morte.

Se comprar peixes de aquários diferentes, peça para o lojista colocar em saquinhos separados, o interessante também é que se coloque/enrole o saquinho em algo escuro diminuindo assim o estresse do animal na viagem até em casa.

Introduzindo os peixes no aquário: Para isto, o aquário deve estar devidamente ciclado e adaptado para receber seus novos habitantes. Nunca monte um aquário e logo em seguida coloque os peixes. O período de ciclagem, geralmente é em torno de 30 a 40 dias. Neste período, deve-se acompanhar os níveis de amônia, nitritos e nitratos que devem aumentar. Quando a amônia e nitrito caírem à zero depois de terem subido, aí sim, o aquário está pronto para receber os habitantes, mas cuidado, os peixes devem ser colocados aos poucos para que a colônia de bactérias se adeque ao aumento da carga biológica.

Quando for colocar os peixes no aquário deixe o saquinho boiando na água por uns 15 minutos para os peixes se adaptarem à temperatura do aquário, após, coloque um pouco da água do aquário no saquinho. Faça isso em intervalos de 5 minutos até completar 15 minutos, esse procedimento é feito para os peixes se acostumarem com os fatores químicos da água do aquário, após este procedimento pode-se então colocar os peixes.

Não coloque a água do saquinho no aquário, jogue esta água fora e não se assuste se no início os peixes ficarem quietos no fundo, se escondendo ou não se alimentarem. É normal que fiquem assim devido à mudança. Eles podem também perder sua coloração, mas após terem se adaptado ao aquário recuperam sua cor normal.

Alimentação: Um dos problemas dos iniciantes é o excesso de comida, quando for alimentar os peixes, coloque apenas o suficiente para ser consumido em até 5 segundos, espere-os comer o que foi dado, após, coloque mais um pouco, quando observar que a procura por comida diminuiu, já está na hora de parar de alimentá-los. Fazendo este procedimento, evitam-se restos de comida o que resultaria em matéria orgânica em excesso, algas, turvamento da água e etc.

Procure variar a alimentação dos peixes, não se limite a oferecer sempre a mesma ração. Peixes comem praticamente de tudo, então, a necessidade de variar. Tente sempre oferecer rações de boa qualidade.

Procure também oferecer-lhes alimentos vivos uma vez por semana como por exemplo, artêmias ou enquitréias, pois são ótimas para complementar sua dieta.

No calor, os peixes costumam comer mais.

Nunca alimente seus peixes à noite com as lâmpadas apagadas a não ser com rações específicas no caso da manutenção de peixes de fundo. Procure assim como as luzes, definir um horário fixo para alimentá-los sendo que de duas a três vezes por dia já está ótimo.

Cuidado para não deixar o pote de comida aberto ou perto do calor das lâmpadas.

Atente para o fato de que um alimento velho perde suas características nutritivas, então, sempre quando for comprar uma ração, observe a data de fabricação. Caso esteja velha, descarte sua compra.

Não ofereça aos peixes rações de má qualidade, migalhas de pão ou bolachas.

Manutenção: Outro fator muito importante para se obter sucesso com um aquário. As manutenções devem ser seguidas à risca principalmente em aquários pequenos e é ai que entra mais um dos mitos do hobby:  “Aquário pequeno dá menos trabalho que um grande”. Isso está extremamente errado, um aquário grande é muito mais estável que um aquário pequeno. Em um aquário pequeno, os fatores de química/temperatura da água tendem a variar muito, então, não se deixe enganar, um aquário grande dá menos trabalho que um pequeno e as chances de se obter sucesso com um aquário grande é muito maior que um de pequeno porte.

Como os fatores da água tendem a variar, principalmente em aquários pequenos, deve-se sempre ter em mãos alguns testes. Entre estes, os principais são: Testes de amônia, nitrito e pH, e estes, devem ser observados constantemente. Outro produto que se deve ter em mãos é o anti-cloro, pois muita gente perde seus peixes por não saberem que não se pode colocar água da torneira diretamente no aquário sem antes eliminar o cloro existente na água. Se caso usar condicionadores de água o uso do anti-cloro torna-se desnecessário, pois este produto além de neutralizar os metais pesados também elimina o cloro e outros compostos nocivos.

Faça tpas (trocas parciais de água) semanais sifonando bem o fundo do aquário. Isto serve para retirar todo o acúmulo de matéria orgânica que fica no substrato. Troque de 30% a 40%, repondo com água nos mesmos parâmetros de pH e temperatura da água do aquário, preferencialmente uma água tratada com condicionadores e descansada. Em aquários grandes pode-se fazer esse procedimento de 15 em 15 dias.

NUNCA, deve-se lavar o aquário, no momento em que se faz isso, todo o ciclo que se criou acaba se “quebrando”, matando toda a colônia de bactérias e voltando-se a estaca zero. O filtro deve estar sempre limpo e a troca dos elementos filtrantes deve ser realizada sempre que necessário, mas nunca troque os elementos da filtragem biológica, esta deve ser somente lavada com a própria água do aquário e sem esfregar muito.

Cuidados: Alguns cuidados parecem besteira, mas devem ser seguidos e um dos mais importantes, é que se você já tem um aquário ciclado e habitado, quando comprar peixes ou plantas estes têm que passar por uma quarentena evitando assim transmitir doenças, protozoários, vírus, bactérias e etc para o aquário. Para os peixes deve-se ter um aquário de quarentena e para as plantas pode-se deixá-las em bacias ou garrafas cortadas.

Outro cuidado muito importante é, após detectar que um peixe está doente, ele deve ser retirado do aquário principal e medicado em um aquário hospital. Não use remédios no aquário principal, isso pode prejudicar a colônia de bactérias, alterar o pH e etc.

Procure escolher primeiro os peixes que se vai criar para somente depois comprar o aquário, assim fica mais fácil comprar/adequar o aquário para os habitantes e as chances de se obter sucesso aumentam ainda mais.

Colocar a mão dentro do aquário deve ser evitado a menos que seja de extrema necessidade.

A injeção de CO2 deve ser realizada somente se for um aquário plantado, mesmo assim é necessário pesquisar sobre as plantas que se pretende adquirir para ter certeza que as mesmas necessitam deste procedimento.

Não monte seu aquário perto de janelas ou lugares onde haja luz solar ou muita claridade.

Evite colocar peixes que nadam rápido em aquários pequenos. Todo aquário deve ter uma placa de isopor embaixo dele, isso anula as pequenas imperfeições da superfície onde o aquário se encontra.

Bater no vidro do aquário é ruim, pois os peixes costumam se assustar e acabam se machucando. Cuidado com choques externos no vidro.

Peixes de diferentes portes não devem ser mantidos no mesmo aquário, pois os menores podem ser devorados.

Muita movimentação na água por conseqüência do sistema de filtragem pode estressar os peixes.

Removedores de amônia devem ser usados somente quando estiver tendo problemas com esse composto.

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