Como montar e manter um FBF(Filtro Biológico de Fundo)

Durante mais de duas décadas esse sistema foi considerado o fino da arte. Apenas elogios a seu uso. Nesse sistema, a água do aquário é forçada a descer em direção ao substrato passando através dele e subindo pelas torres. Esta circulação constante favorece a formação e povoamento de diversas colônias de bactérias benéficas, assim como outros seres microscópicos ou não, pois a circulação leva nutrientes e principalmente oxigênio através do substrato. Trata-se portanto de um sistema de filtragem realmente biológico, uma vez que diversas espécies de animáculos degradam a matéria orgânica (e inorgânica) que surge na água, seja pelos restos de comida, morte de plantas ou excreções dos peixes.

Embora muito simples e eficiente, ao longo de anos e anos de utilização muitas das informações pertinentes à correta utilização deste sistema foram se perdendo ou sendo deixadas para segundo plano. Nos dias atuais é bastante comum ouvirmos frases como:

– Filtro Biológico de Fundo é ultrapassado;
– Filtro Biológico de Fundo é uma bomba relógio que, mais cedo ou mais tarde vai explodir;
– Filtro Biológico de Fundo acumula muita sujeira no fundo e isso causa a Síndrome da água velha;
– Filtros externos dão muito menos trabalho;
– Todo ano temos que desmontá-lo para limpar a sujeira sob as placas e o cheiro é nojento.

Muitas dessas frases (e outras) estão erradas e foram difundidas por ignorância ou interesses comerciais. Afinal, quem compraria um filtro externo hang-on de R$ 200,00 ou um canister de R$ 500,00 se soubesse que o FBF é muito mais eficiente e pode ser montado com menos de R$ 50,00?

A única vantagem dos filtros externos (se é que isso é uma vantagem) é que você desliga, leva até o tanque e procede a limpeza sem precisar incomodar os peixes. Vejam que as sifonagens do substrato continuam sendo necessárias, seja em aquários com canisters, filtros externos, sumps ou FBF. Assim, o trabalho que um aquário com FBF dá, é o mesmo.

Muitas das coisas ditas nas frases acima realmente ocorrem nos aquários de aquaristas que disconhecem a forma correta de se montar um aquário com FBF. Se ele for montado corretamente, você não precisará desmontar o sistema a cada ano para limpar sob as placas, simplesmente porque não haverá sujeira sob elas. Se bem montado, a tal “bomba-relógio” ou a síndrome da água nunca acontecerão. Isso eu posso falar de carteirinha, pois venho usando esse tipo de filtragem há mais de 25 anos e já mantive diversos aquários por mais de 8 anos com FBF sem que estes apresentassem nenhum dos problemas tão alegados pelas pessoas que “não gostam” do FBF.

Dizer que é ultrapassado é outra grande bobagem. Filtragens “biológicas” em filtros externos se limitam à manutenção de colônias de algumas poucas espécies de bactérias capazes de consumir amônia e nitritos. Filtragem biológica é muito mais que isso. Um substrato oxigenado pela passagem da água através dele, permite que muitos outros tipos de seres façam suas contribuições para tornar a água mais apropriada para os peixes.

Sendo assim, vamos às dicas de montagem e manutenção de um FBF eficiente:

Montagem:

1- Montagem das placas e torres: Quanto maior for a área coberta pelas placas melhor. Se possível, cubra toda a área do chão do aquário. A distância entre as torres não deve ser maior que 50cm. Assim, qualquer aquário com mais de 50cm de comprimento deve ter mais de uma torre pois além dessa distância a bomba submersa não conseguirá sugar a água e se você tentar compensar isso com uma bomba mais potente acabará prejudicando a passagem dos nutrientes nas proximidades dessas torres, pois agora a água passará muito mais rapidamente;

2- As placas devem ser cobertas com algum tipo de material capaz de reter material particulado como pequenos grãos de areia, restos de plantas, etc. Pode-se usar algum tecido ou material sintético para essa finalidade;

3- O substrato deve ser de granulometria não superior ao n° 1. Os n° 0 e 00 são bastante funcionais. Quanto a espessura da cama, 6 a 8 cm de espessura costuma dar bons resultados;

4- Com relação à vazão das bombas submersas, existem duas correntes: uns defendem um fluxo lento para dar tempo às bactérias e demais seres de consumir os nutrientes que vem em sua direção, permitindo inclusive a desnitrificação nos pontos de menor vazão. Outros preferem garantir uma passagem mais rápida da água pelo substrato para melhor oxigená-lo e assim evitar a formação de zonas anóxicas que poderiam servir como sítios de desenvolvimento de bactérias anaeróbicas no sistema. Particularmente, defendo o uso de bombas com vazão entre 300 e 650 Litros/h, dependendo da altura da cama e da granulometria do substrato, assim como da quantidade de fauna presente no aquário.

Manutenção:

Como em qualquer aquário, o substrato deve ser sifonado periodicamente. Um dos grandes erros praticados pelos críticos desse sistema é que eles não sifonam o substrato na frequência necessária e isso acaba compactando-o e impedindo o fluxo de água através dele. Isso leva ao desenvolvimento de bactérias anaeróbicas sob as placas com produção de gases altamente tóxicos como o metano e o gás sulfídrico, gerando um bolsão de gás sob o cascalho compactado. Aí está a tal “bomba-relógio”. Esses gases, além de muito fedorentos, podem dizimar a fauna de um aquário em muito pouco tempo, daí a importância de ter o cascalho sempre bem fluidizado (não compactado).

Recomendo sifonagens por toda a extensão do substrato levantando pedras ou troncos para sifonar por baixo deles. Veja que quanto menor for a granulometria do cascalho menos sujeira se acumulará entre os grãos, o que facilita uma sifonagem superficial, mas não se esqueça que a granulometria menor favorece a compactação. O tempo lhe dirá qual o melhor intervalo entre as sifonagens, mas o importante é que o cascalho esteja sempre o mais limpo possível e principalmente fluidizado. Eu costumo fazer uma a duas sifonagens por semana em meus aquários. Se você conseguir mantê-los limpos e não compactado com intervalos entre as sifonagens maior que uma semana, tudo bem! Cada aquário tem seu tempo. Ele é função da quantidade de fauna, da quantidade de ração oferecida e da vazão de filtragem. Por falar em filtragem, há quem defenda a utilização de um filtro externo hang-on para auxiliar nas demais filtragens (mecânica e química). Não há necessidade de usar cerâmicas, esponjas ou quaisquer outras midias biológicas nesse filtro externo, pois a filtragem biológica estará acontecendo no substato. Esse filtro externo será um complemento, removendo material particulado em sustensão, assim como material orgânico dissolvido ao passar pela filtragem química – geralmente feita com carvão ativo ou Purigen.

Espero que com essas dicas a montagem e manutenção de aquários com FBF volte a ser uma prática corriqueira entre os aquaristas modernos. Afinal, por que deixar de usar um sistema de filtragem tão barato e eficiente, se ele garante água muito mais limpa e estável que os filtros externos, tendo inclusive um lastro muito maior para suportar nossos erros com relação a exageros na comida e excesso de fauna?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s